metroviário
poema no Excel
em setembro de 2023, com papel vegetal e lápis, escrevi versos sobre as linhas do metrô berlinense. para cada direção de cada linha, escrevi um verso.
por exemplo, para a linha U2 (vermelha), escrevi os versos:
→ feito peixes abissais ao fundo vai ao fosso vai qual não fosse desse mas outro abismo vai ou não fundo e sai ao mundo que um peixe não cai jamais abaixo e fundo afinal são abissais
← um animal de carga tem antolhos porque tem olhos um animal de carga na paisagem também capta uma paisagem e para um animal de carga estão vocês na paisagem
ou, para a linha S7-S75 (roxa), escrevi os versos:
→ pelos pecados capitais permitiram que a peregrinação fosse pela malha ferroviária da capital ao centro e ao cerne da capital de joelhos pela linha circular em oração perpendicular não se fazem mais peregrinações como antigamente mas [por Deus que horas são] [perduram os teleféricos]
← [era só uma obra no museu e de] [um vaso pode ser de] porcelana pode ser de vidro por bem ou por mal pode ser de plástico um vaso pode ser derrubado pode ser quebrado deliberadamente ou por acidente de todo modo existem outros vasos e de modo algum você haveria de escolher um vaso justo agora
são 22 linhas, escrevi sobre todas elas.
esse desenho, contudo, é apenas a fonte de um poema maior.
ao longo de um ano e meio, de setembro de 2023 a março de 2025, registrei em uma planilha todos os trajetos que fiz de metrô pela cidade.
e apenas os trechos das linhas que eu percorri compuseram o poema.
se um dia peguei a linha U2 (vermelha), seguindo o ilustração acima, da estação Alexandarplatz até a estação Bülowstraße, foi apenas o trecho correspondente do desenho que entrou como verso:
porque tem olhos um animal de carga na paisagem também
ou, se um dia peguei a linha S7 (roxa), da estação Alexanderplatz até a estação Warschauer Straße, foi apenas o trecho correspondente do desenho que entrou como verso:
perpendiculares não se fazem
de lá para cá, publiquei e li alguns trechos desse poema maior.
agora, pela primeira vez, deixo → AQUI ←o poema completo para quem quiser esmiuçar os meus trajetos, na própria planilha.
a coluna A indica a data de cada trajeto, as colunas B-E indicam as linhas que peguei, de que estação até que estação, e em que ordem baldeei. e, por fim, a coluna G revela o verso resultante de cada trajeto.






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lindoooooo <3